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Publicado; 20, março 2012 Filed under: Cotidiano Leave a comment »Recém descoberta a ser guardada: há pessoas que não mudam.
Há pessoas que trafegam com os hábitos de tomar o que não lhes pertence, desejar o que não é seu (nem será), se fazer de vítima constante da situação, de manipular, distorcer palavras.
Há pessoas que não mudam.
A vida dá a elas; elas querem o que é de outro.
E não adianta gastar argumentos, tecer um comentário, explicar claramente a situação – aliás, situação explicada, a pessoa vira argumentos contra você e, no mais das vezes, fazendo com que você pareça um ser sem coração já que não engoliu a pataquada do dramalhão gigantesco.
Não adianta, há pessoas que não mudam.
Felicidadezinhas Cotidianas
Publicado; 16, março 2012 Filed under: Cotidiano 2 Comments »
Até hoje não abri todos os presentes que ganhei de aniversário. Alguns cheiram tão bem e têm laços tão bonitos que fico até com dó de desfazer a caixa.
Em Brasíia, exposição de 105 anos do nascimento de Pixinguinha. Se eu pudesse, daria um pulinho até a capitar.
Por falaaaar em Capitaaaaar, acho que em nenhuma outra a Cow Parade faria tanto sentido quanto em Goiânia. Tem uma vaca cheia de corações na Praça do Sol , em frente ao Cartório, que é a mais.
Numa casa que vive de pequenas reformas, o pedreiro liga avisando que no sábado vem às 7. Não que isso seja uma felicidadezinha, mas o pós reforma – uma cozinha ajeitada e um tantinho mais funcional – isso é que é.
A mesma teoria das reformas se aplica a depilação definitiva. Dói, incomoda, arde e coça. Mas não depender mais do motorzinho metido a besta, nem da agenda abarrotada da torturadora que atende numa sala cuja trilha sonora é música clássica (tal qual Laranja Mecânica), isso é que é.
A rua não estava tranquila.
Publicado; 16, março 2012 Filed under: Cotidiano Leave a comment »Sete e dez da manhã de quinta-feira.
Olho pela janela para saber se vai chover ou não e se devo levar casaco. Todo mundo passa apressado para escola, trabalho, os ambulantes tomam cafés. Nem sinal de chuva; há um homem vestido de preto, encurvado e ajoelhado na calçada, quase se confundindo com o saco de lixo.
Na frente dele, três pares de sapatos femininos enfileirados, algumas calcinhas sobre os sapatos.
Era um ritual para ter de volta a mulher amada. Tenho a certeza de que havia uma colherada de mel sobre os sapatos. Simpatias para o amor envolvem mel. É isso o que nos ensinam.
O homem balbuciava obsessivamente algumas palavras, tocava os sapatos, tornava a ajoelhar-se como que voltado para seu objeto sagrado. Talvez ali fosse o portão da casa da mulher.
Não era uma esquina, não havia bifurcação de ruas, nada.
Achei meio tarde pra macumba. Existe a lenda de que macumbas são feitas à meia-noite – ao menos naquela época em que todos dormiam às dez e meia noite era alta noite e só as almas habitavam as ruas.
Agora há gente transitando todo o tempo. A rua não pára. O bar fecha pela manhã, o posto de gasolina jamais, um senhor passea com os cães às 2 da manhã, casais de namorados, ambulantes e fiéis em virgília na igreja logo ali transitam todo o tempo.
Então, pelo adiantado da hora e pela quantidade de gente transitando, talvez nem fosse macumba. Fosse desespero. Um ato de loucura extremo e equivocado, causado menos pela indiferença da mulher amada e mais pela terrível fome de amor. Pela fome que não cessa, não cura, não alivia e no mais das vezes se confunde com a ausência do objeto de desejo.
Mas a fome não está no objeto. Ela está na gente.
Acabei de fazer “mais idade”.
Publicado; 14, março 2012 Filed under: Cotidiano Leave a comment »- Carla? Você se chama Carla? Minha irmã também.
Daí eu fiz aquele comentário básico, que meu nome devia ser de personagem de novela, porque eu nunca vi ter tanta Carla espalhada no mundo e que você abre o jornal e encontra facilmente umas 20 Carlas oferecendo produtos, os mais diversos: de consultoria Natura a serviços especializados de acompanhamentos – se é que você me entende.
Isso, enquanto eu experimentava a sandália que ela tentava me vender. Uau, que sandália espetacular, um negócio cujas tiras sobem pelo tornozelo, uma obra de arte, quase uma instalação, eu poderia falar por horas sobre a sandália mas…
Foco.
A moça pensa se deve falar e solta:
- Olha, eu conheço muita Carla. Mas, assim, de mais idade, você é a primeira que eu vejo.
Abre uma aspas por favor:
" De mais idade."
Fecha as aspas correndo, vou ali beber um renew.
Me dá a receita da beringela?*
Publicado; 14, março 2012 Filed under: Cotidiano 2 Comments »Eu curti tanto esse aniversário. Ainda tô lá no FB lendo com cuidado e respondendo cada mensagem. Curti demais.
Ganhei um monte de presentes para alimentar minha vaidade – que é monstro visível mantido a danoninho pago em 50 vezes sem juros no cartão de crédito com direito a bônus no programa de fidelidade bancária.
Com meus presentes cheirosos & chiques eu poderia até protagonizar um episódio de As Brasileiras: A Cheirosa do Bairro Popular.
Além dos perfumes, sabonetes, creminhos, ganhei flores de cabelo, minha mais recente mania adquirida pra domar um redemoninho persistente bem na frente da cabeça, meu topete Elvis Esquizo.
Ganhei chocolates que durarão até o Natal, minhas TPMs estão medicadas por um bom tempo.
3 Pijaminhas lindos – meus bons sleepwear, diria a Marilac – teve um vermelho com rendinhas de algodão, com ele poderei facilmente sensualizar e dançar poledence. Armada e perigosa.
Havaianas fashion, verde com florzinha de bijou, já posso ir ao Serra torcer paramentada até os pés. Boto fé que depois disso, o Periquito leva a taça do Goianão numa partida memorável com o Itumbiara.
Brincos, todos lindos, posso usar um mês sem repetir, ah se eu fosse uma blogueira de muódas e não de diarinho, ceis iam ver meus brincos novos todo dia.
Ganhei um urso que vem com abraço (tinha que ter uma piadinha interna).
Tem umas fotos boas pra caramba no FB. Algumas sem pé, sem cabeça, sem cotovelo e até – olha mãe! sem as mãos!
(*) Como rolou uma festinha correria, eu fiz as receitas mais manjadas do planeta. Entre elas um negócio de beringela pra colocar no pão (que não tem nome ) que mereceu uns elogios. Uma hora dessas, a beringela vira post.
Salto
Publicado; 8, março 2012 Filed under: Cotidiano 2 Comments »Em algumas fases é necessário apertar cintos de segurança, não olhar para os lados para evitar quaisquer distrações, manter um plano de viagem – ainda que cheio de falhas – não chorar por nada – ainda que doa – não desviar atenção, não deixar ninguém mais entrar para que se tenha jeito de inventariar emoções, possibilidades, sonhos e, principalmente, manter-se em atenção, em luz amarela, em cuidado. São momentos (verdadeiramente) duros, difíceis, dolorosos aqueles em que é quase impossível abrir a casa para algo novo.
Evita-se amar para não ser soterrado pelo medo da perda.
São recursos emocionais extremos, dos quais nós lançamos mão quando fomos profundamente machucados ou surpreendidos.
São recursos para sobreviver, manter a sanidade, ainda que com alguns prejuízos.
Acontece que a vida segue e o próprio sorriso triste na foto passa a incomodar um dia, como se fosse a tristeza fosse de outro, e acontece a percepção da diferença enorme entre o que se sente e o que se vê numa foto.
Então fica resolvido e quase decretado que o passado deve ser colocado nas caixas mais altas – e dificilmente alcançáveis por desavidados – da casa. Ainda que esse seja só mais um outro recurso extremo para lidar com a brutalidade da vida.
A gente percebe que ”a vida é companhia e a solidão apenas um ponto de partida”.
Guarda as coisas na caixa, sobe na escada para colocá-la no lugar mais alto e, de lá, dá um salto mergulhando de volta na vida.



