Aviso:

2009 Outubro 30
por carla

Assim ó: Acesso a internet tá difícil.  Não tem internet na casa nova e pra eu postar alguma coisa é uma novela. Como é meio ruim esse negócio de deixar um blog criando teia de aranha, vagando todo fantasmagórico na internet, vou dar um tempo. Fica assim: o blog tá temporariamente fora de operação.  Volto assim que puder.  Pela atenção, obrigada. Pela amizade, carinho, cuidados e conselhos não tem nem como agradecer…

2009 Outubro 27
por carla

Ou Isto Ou Aquilo

(Cecília Meireles)

 

Ou se tem chuva e não se tem sol,

ou se tem sol e não se tem chuva!

 

Ou se calça a luva e não se põe o anel,

ou se põe o anel e não se calça a luva!

 

Quem sobe nos ares não fica no chão,

quem fica no chão não sobe nos ares.

 

É uma grande pena que não se possa estar

 ao mesmo tempo nos dois lugares!

Pimenta nos olhos* dos outros…

2009 Outubro 14
por carla

Aí no domingo eu tava vendo aquela matéria do Fantástico com o Max Geringher administrando um condomínio.  E olha, dei graças porque lá no prédio não tem salão de festas,  nem área de lazer e os problemas mais chatinhos  são o parafuso da cama solto e  o tamanco de madeira da vizinha de cima. A propósito, o síndico, nosso fanfarrão predileto, resolveu pintar o prédio de marrom-cocô. Digamos que essa é uma das formas de se interpretar a tendência de nude aqui no cerrado.  Super fashion e fanfarrão o nosso síndico.

As caixinhas ficaram pequenas e agora parti para os criados mudos, banquinhos e vasos de jardim. Temo pela integridade dos coitadinhos. E pelo restante dos móveis, se sobrar tinta esmalte, cola gel e guardanapo de docoupage.
*
A propósito, aonde é que eu tava que ainda não tinha visto esse site? http://printpattern.blogspot.com/

Primeiro Dia

2009 Outubro 6
por carla

Acordei com o despertador tocando “Ensaboa” da Marisa Monte.  Adoro quando ela canta sabããããããããão,  assim, agudo e comprido. Sem contar que é uma trilha adequada pra que uma pessoa se lembre que é preciso trabalhar. Acontece que a música é bonitinha e a soneca dura exatos 9 minutos, tempo mais do que suficiente para eu me atrasar. Quer dizer, não que uma soneca me atrase. Mas 5 seguidas somam 45 minutos e lá estou voando pra chegar a tempo. Eu sou uma piada amarela: por que não ajustar o despertador 45 minutos mais tarde?  Mas não. Eu sou muito viciada em sonequinhas. Reluto muito para levantar da cama, faço um balé, viro ponta-cabeça, choro, rio, rosno. Até que me convenço, uso um restante de juízo e me levanto.  Hoje, quando me levantei, um grande besouro, de pernas pro ar, dançava funk na entrada do banheiro. Deve ser difícil ser um bicho de costas redondas e tentar se levantar quando aterrisa de mau jeito. Olhando o besouro no chão, em situação bem desfavorável, me lembrei que ainda agora quem fazia a mesma dancinha ali na cama era eu, insistindo em me enganar com sonecas de 9 minutos. É provável que eu também tenha as costas redondas e tenha aterrisado de mau jeito ontem à noite. Me identifiquei um pouco com o besouro mas, dane-se, taquei mata-insetos na cara dele. Era ele ou eu. Já disse que não sou capaz de matar nem formiga? Não era. Atravessada a barreira que era o besouro, fui para o box. A torneirinha está dando choque. “Casa de ferreiro, espeto…” Além disso, a mangueira da ducha sentiu uma ânsia doida de liberdade e se soltou do chuveiro mandando ver um jato de água gelada bem na minha cara. Ah! Meu anjo de guarda que andava sonolento na sua décima sonequinha, acordou assustado. Eu ri ali sozinha, eu e minha imaginação. Hoje comecei a prestar atenção em muitos detalhes. Tantos que eu nunca tinha visto antes.

:-)

2009 Setembro 30
por carla

Devagar com o andor, ou ainda: Im not dog no, Mr Murphy.

2009 Setembro 30
por carla

(é bem provável que este seja um daqueles posts que se auto-destroem em pouco tempo.)

Quase um ano depois e eu não acreditei ainda. Pra mim, ele ainda vai chegar de viagem e colocar o boné na estante. Se eu paro pra pensar que ele não chegará mais, os pensamentos seguintes são bem incômodos. E se o carro pifar, se a chuva me pegar no caminho, se a bateria arriar, se o curto-circuito for dentro de casa, se eu travar, e se – como agora – eu me sentir um tanto desprotegida, eu chamo a quem? Coelho da Páscoa? Chapolin? O pior é que não tem Procon que registre esse tipo de indignação: – devolve o que é meu? O pai é meu, ora.

Eu esperava contar com uma razoável ajuda para reconstruir a alegria da casa.  Minha mãe, também espera. Boa vontade, algum humor e disposição para ajudar. Esperamos.

Em algum ponto a coisa toda tem que ser compensada, de modo que o saldo foram 10 quilos de pura ansiedade (engordar é rapidinho, né?), tendões inflamados, uma pele toda futucada de unha.

Sendo que não adianta sentar e chorar (nem chorar de pé), muito menos enlouquecer até porque para os doidos resta o Samu e tranquilizates e o que não tem solução, entra pra conta dos solucionados: feridas de guerra nem sempre são passíveis de cura.  Ao menos não dá pra esticar as indignações porque ajuda, alegria e compensações vêm das fontes que a gente menos espera. Modos que muita ocupação e cuidados pessoais (leia-se vaidade) é o que nos salva. Além da terapia e das respirações da yoga e dos livros básicos, claro.

Então, daqui por diante – por um tempo – este blog falará sobre vaidade. Algum amor próprio é necessário pra uma pessoa se levantar da cama todo dia.

Se você também tá precisando de maquiagem corretiva (leia-se: um bom disfarce para peles cansadas e futucadas) capriche no make

Ando me distraindo bem com os melhores looks da Beyoncé.

 Mas ainda acho que um Procon do céu ainda era uma boa idéia. Dava pra devolver o que é meu?

Agora vou nessa porque acabou o intervalo do lanche e um cliente espera pelo projeto pra concretar a laje e dar uma festa com direito a banda de axé no meio da alfavila.

Chove.

2009 Setembro 23
por carla

Manuela Viola 

 

Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego…

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece…

Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente…

Fernando Pessoa

Formigas, formigas

2009 Setembro 22
por carla

Tenho um certo fascínio por histórias de doidos. Da psicopatia excêntrica, cruel e elegante do Dr. Hanibal Lecter ao TOC cômico e agressivo de Melvin Udall, assisto todos que tenho notícia. Não tenho nenhum conhecimento técnico a respeito, não fiz curso, não tenho vivência na área. Ao contrário do que possa parecer, eu não gostaria de ser psiquiatra, psicóloga, terapeuta. Bom, talvez, não muito.  Não sei se teria  a paciência necessária para as pequenas loucuras, paranóias, inseguranças e excentricidades do dia-a-dia dos outros.  As minhas já me bastam – e irritam.  Agora, se eu tivesse alguma oportunidade e talento para tal, gostaria de ser escritora de histórias de investigação policial com assassinos em série, excêntricos, doidos ou doidinhos não muito fora do padrão social. Ou promotora de Justiça, mas aí já é pedir demais.

 Acho que grande parte do fascínio vem do medo. Sempre tive medo de ficar uma velha, doida, solitária e excêntrica.  Quem não tem? Vai me dizer que você não tem. Eu finjo que acredito e você será, então, o primeiro personagem das minhas histórias: o maluco que fingia. Parto do pressuposto de que todo medo carrega um grande componente do fascínio pelo mistério que envolve o mundo desconhecido da mente humana.

 Bom, toda essa conversa aí em cima foi só por um motivo: deixar registrado um conto que li há muito tempo, na época do vestibular. É de Anatole Ramos, um escritor (mineiro nascido, carioca vivido e goiano adotado) pouco divulgado na internet mas com  uma capacidade imensa de prender a atenção contando uma história.  Ele escrevia para os jornais da região, ganhou alguns prêmios, inclusive pelo referido conto. Procurando no Google,  não se encontra quase nada sobre ele, a não ser a letra do desconhecidíssimo Hino a Goiânia. Logo abaixo faço a minha parte divulgando e recomendando Minhas Queridas Formigas.

****

É só eu estender a mão e pegar aquela montanha, mas não quero. Me contento em ficar olhando, que ela é bonita a gente olhando sem pegar. Esse negócio de pegar pra ver é com criança e eu já estou bem velho. E tudo o que eu pego mato logo, porque meus dedos são duros e poderosos demais; tudo é delicado para eles. O outro dia peguei um franguinho que tinha vindo  para meu quintal, sem querer apertei o pescoço dele – só devagar, para ele não gritar tanto. Morreu. Dei ele para as minhas formigas, que há muito tempo elas andavam com uma fome danada, comendo todas as folhas das minhas árvores. E eu gosto muito das minhas formigas e das minhas árvores. Às vezes vêm outras formigas por aqui, mas eu faço feitiço, um que minha mãe me ensinou, e elas vão embora. É só pegar uma galinha ou outro bicho qualquer, morto, e enterrar no formigueiro. Elas não aguentam o mau cheiro da carne estragada, fogem para bem longe, vão abrir formigueiro noutro lugar. No ano passado eu queria acabar com um formigueiro de umas saúvas muito safadas, não tinha achado nem um cachorrinho sem dono para enterrar. Aí apareceu aquele negrinho, filho dos crentes. Botei ele mesmo no formigueiro. As formigas foram todas embora. Parece que elas foram parar justamente na casa dos crentes, porque eles deram de chorar, e não andavam mais nem pela casa deles, o dia todo ficavam nas ruas, a falar com os outros, acho que perguntando por um meio de acabar com as bichinhas. Vieram até aqui, mas não falaram em formigas não. Para disfarçar, perguntaram se eu não tinha visto o negrinho. Eu disse que não, ora essa. E disse que não, porque no dia em que vieram cá eu não tinha visto mesmo. Eu só tinha visto ele na véspera, quando botei em baixo da terra. E de lá ele não saíra. Mas eles não queriam saber do menino nada. Queriam saber de quem eram as formigas terríveis. Eu, que não sou bobo, não ia dizer nada. Elas vieram aqui porque quiseram, as minhas formigas são outras, são daquele formigueiro no meio do quintal. Eu conheço todas elas; elas não entram na minha casa, me respeitam. Formiga dos outros entra. Agora eu vou dar de espantar elas também com roupa de cigano. Roupa de cigano também é bom. A gente enterra a roupa do cigano no formigueiro, elas vão embora. Cigano é povo que gosta de andar por tudo quanto é parte. Formiga pega o cheiro da roupa deles e dá de andar feito louca, não pára em lugar nenhum. Vai cada vez mais longe de onde saiu. Aliás, elas ficam sempre saindo, como os ciganos fazem. O professor Ático Vilas Boas me disse uma vez que a roupa de cigano serve até para a gente fazer vizinho mau se mudar. É só a gente jogar a roupa do cigano pra dentro da casa dele. Eu nunca experimentei com vizinho. Eu tenho uma roupa de cigano comigo. Tirei daquela ciganinha morena que ou outro dia, há uns três meses, veio ler a minha mão. Ela não sabia ler mão nada. Ela pegou a minha mão e começou a dizer que eu era rico, muito rico. Isso todo mundo sabe. Todo mundo anda querendo botar a mão na minha riqueza. A cigana deu de falar bobageiras, foi me irritando. Depois ela viu que eu não queria mesmo dar nada, começou a se esfregar em mim, perguntou se eu não queria levar ela para o meu quarto. Lá, apertei o pescoço dela; ela não  resistiu. Ninguém resiste. Meus dedos são duros  e fortes demais da conta. Apertei devagarinho, ela estrebuchou, mas não deu muito trabalho. Eu estava mesmo precisando de um corpo para acabar com um novo formigueiro de umas formigas invasoras. Ela tinha um corpo moreno bem bonito, mas já estava morta, que é que eu podia fazer mais? Além de tudo, eu estava precisando era de acabar com as formigas que não eram minhas. Guardei as roupas para o primeiro formigueiro que aparecesse e levei a cigana morena para os fundos. Enterrei de noite e de manhã já não tinha mais nenhuma formiga no quintal. Só as minhas mesmo. Elas sabem que eu só faço isso por causa delas, não é?

O texto continua aqui: Queridas Formigas

(Minhas Queridas Formigas – Contos. Goiânia: Departamento Estadual de Cultura, 1971)

Utilidade Pública

2009 Setembro 21
por carla

Bom dia.

Pode ser que, depois de um final de semana particularmente primoroso, você tenha acordado com uma súbita vontade presentear alguém e entra neste blog, simpatiza com esta moça e se pergunta: O que ela gostaria de ganhar?

Neste caso, posso facilitar sua vida.

Se você é um(a) magnata dos minérios, você poderá me dar de presente o apartamento que está à venda em frente ao meu. É baratinho e se você tiver alguma habilidade de negociação, o proprietário faz um precinho camarada.

Mas se você não for magnata, não será por isso que vamos nos desentender. Recomendo me presentear com os dois cds dessa moça aqui:

http://www.anacanas.com/

Ouça, no CD “Hein?”, a música Esconderijo.  Uma gracinha nessa manhã de segunda chuvosa.

Segunda-Feira

2009 Setembro 14
por carla

(Texto de Adriana Falcão no livro O Homem que Só Tinha Certezas)

 Toda segunda-feira começa cedo mesmo que se acorde tarde.

As segundas, aliás, começam quase sempre na véspera, “amanhã já é segunda” (toda noite de domingo traz com ela, além da depressão habitual e do som de uma TV ligada, uma segunda-feira inevitável).

Toda segunda, há uma promessa a ser cumprida, pelo menos uma, muitos ônibus lotados, atrasos motivados pelos mais diversos motivos e um alto índice de enfartes.

Toda segunda tem esperança de um telefonema que mude a sua vida, tem um papel pra ser assinado, tem uma prestação para se botar em dia e tem uma importante decisão a ser tomada.

Toda segunda tem um pouquinho de primeiro do ano.

Toda segunda, um cantor de bar fica rouco, um bailarino está exausto, um artista de teatro aproveita sua folga até a próxima quarta e a namorada de um garçom capricha na lavanda.

Toda segunda, um homem que bebe procura urgentemente uma desculpa.

Toda segunda tem alguém que parou de beber, tem alguém que parou de fumar, tem alguém começando uma dieta.

Toda segunda, em um prato, em uma cozinha, tem um resto de bolo de chocolate.

Toda segunda, as agendas das garotas acumulam novos ingressos de show, notinhas de bar, pétalas de flor, guardanapos de papel, bilhetes de amor e ficam ainda mais gordas.

Em compensação, as folhinhas, se é que ainda existem folhinhas, vão ficando mais magras.

Toda segunda tem pelo menos um bom dia que é dito com alegria por alguém que encontrou o seu amor no final de semana, e pelo menos um que é dito com tristeza por algumém que perdeu o seu, ou porque ele se foi, ou porque o amor perdeu a graça.

Toda segunda, secretárias com muitas aventuras pra contar deixam os chefes malucos atrás de documentos, relatórios e cronogramas.

Toda segunda, os desenganados têm mais um domingo pra contar e os infelizes da vida ficam contentes porque têm menos um domingo pela frente.

Toda segunda, alguém começa uma contagem regressiva.

Toda segunda, uma expectativa se estabelece.

Toda segunda, um prazo se esgota.

Segunda sim, segunda não, já se passou uma quinzena e alguém continua esperando alguma coisa que não chega nunca.

Toda segunda, existe um trabalho chatíssimo pra fazer, a não ser que, sorte a sua, seja feriado.

Toda segunda é ensolarada, mesmo as mais chuvosas, só pra arruinar o humor da humanidade.

Toda segunda é igual à outra, menos se o seu time ganhou, se o despertador não tocou, se o seu filho nasceu ou se um terremoto destruiu a cidade.

Toda segunda, nascem não sei quantas crianças, umas de parto normal, umas de cesariana, e todas elas, benza Deus, segunda que vem vão completar uma semana.

Toda segunda, faz um ano exato que um fato qualquer aconteceu e para alguma pessoa, por algum motivo, isso tem uma enorme importância.

Toda segunda é meio lembrança, meio começo, meio cansaço, meio maçante, meio preguiça, meio esperança.

Toda segunda tem alguma coisa ruim, alguma coisa boa e uma péssima fama.

2009 Setembro 10
por carla

- Fármácia. Bom dia. O que deseja?

- Tem Bepant*l e V*tinal?

- Hein?!?

A interrogação foi tão enfática que, por  um momento, pensei ter pedido acém e contra-filé e não dois dos itens mais pop de qualquer farmácia. Repeti.

- Bepant*l e V*tinal.

(O restante do pessoal da escritório arregala os olhos, afinal, pra quê cargas dágua a moça quer pomada de assaduras se não tem filhos? O que essa moça andou aprontando?)

- Hein???? Pode falar mais alto? – Disse a tele-atendente, já gritando.

- E remédio para ouvido entupido, tem???

- Hein? Pra gripe???

Eu mereço, viu. Desisti.

Se trocassem a tele-atendente pela véia da praça era capaz de funcionar melhor.

Em tempo: Bepant*l, reza a lenda popular, é bão demais da conta pra ressecados nos joelhos e cotovelos, irritações na pele, machucadinhos, falta de viço, olheiras. Enfim. É praticamente o Vidrex do Casamento Grego.

2009 Setembro 10
por carla

18:30. Chove fino e geladinho. A pessoa se distrai tanto com a paisagem e a chuva fininha – que mais parecem cenário de comédia romântica  – que se esquece de onde estacionou.

18:45. Chove fino e geladinho. A pessoa, emputecida com aquela @#$% de chuva  fina e geladinha, ainda procura o carro no estacionamento.

 Deve ser por isso que, na minha terra, chuva fina e geladinha também é chamada Chuva de Molhar Bobo.

burro-shrek

Hino

2009 Setembro 7
por carla

Aprenda a cantar o hino com ninguém menos do que o professor da Vanusa.

Bom feriado.

2009 Agosto 27
por carla

Ando meio sumida do blog porque a Pátria me chamou para servi-la.  A Patroa não dá vale transporte mas tem almoço na hora certinha. E não paga um centavo a mais no fim do mês.  A danada é exigente e, dia-sim- dia-não me afasta dos meus cálculos, da internet, da minha rotina.

E o pior é que eu gostei pra caramba.  Tem doido pra tudo nesse mundo.

Lá, na casa da pátria,  há um duelo permanente entre a Vida (para uns) e a Liberdade (para outros). O que vale mais? Viver ou ser livre? É o que nos perguntam todos os dias.

Ninguém me explicou na escola.

2009 Agosto 18
por carla
Ice Age Movie

Ice Age Movie

Minha primeira paixonite aguda aconteceu quando eu tinha uns 6 anos. Veio junto com a catapora e a tentativa desesperada de decorar a tabuada.  Recomendaram não coçar catapora e eu cocei até não poder mais, as manchas não sumiram completamente, nunca decorei o 6 x 7 e a paixonite foi por um moleque muito ruivo, sardento e encapetado a quem eu me referia furiosamente como Aquele Enferrujado. Era uma infindável troca de elogios, um neguinha do cabelo duro pra cá, um enferrujado bocoió pra lá. Preconceito racial? Não estávamos na era politicamente correta ainda. O provável romance ficou abalado quando reuni as meninas e demos nele uma surra homérica porque ele tinha uma manía horrível de passar correndo e levantar as nossas saias. O incrível é que, depois disso, ficamos super amigos. O que é a coerência infantil, não?  Pouco tempo depois, acabou-se o que era doce e o primário, fui estudar numa escola só para meninas.

Depois veio a adolescência e eu me achava feia demais. Horrível. Um desencontro. Uma trombada de caminhão. Embora eu o achasse sob os protestos injuriados da minha mãe e do meu pai que julgavam ter caprichado na fabricação. Fato é que eu tinha pernas muito compridas, boca carnuda (e não, não usava batom que era pra não ressaltar)  e aquele cabelo que, ah, não desarmava nem com reza indígena. Nessa época, voltei a estudar numa escola mista, que  hoje é um colégio militar. Mas já era meio tarde, eu tinha perdido mesmo o jeito com esse lance de paquera e minha praia era, definitivamente, curtir A Fórmula do Amor do Kid Abelha na mais horrível das fossas afogadas em coca cola e suco de envelope sabor uva. Ler Capricho, fazer os testes “Seu signo combina com o dele?”, constatar que não combinava e me recolher no melhor estilo A Fracassada. Era bonito ser nerd e sofrer, sabe?

Uns  encontros pavorosos (e alguns divertidos) depois, veio a escola de engenharia e sempre me diziam que quanto maior a quantidade de gente, melhor a possibilidade de escolha. Eu constatei exatamente o contrário. Digam o que disserem,  meninas em idade escolar (eu sei, já era faculdade, mas leve em conta o nível de abestalhamento emocional da pessoa)  se apaixonam por meninos idealizados e, em nossos sonhos mais românticos, os meninos não têm cecê, nem chulé, nem arrotam ovo choco.  A escola de engenharia me deu um choque (sem trocadilhos) de realidade: meninos iam vestidos bermudão rasgado  e havaianas gastas no calcanhar, faziam campeonatos de arroto, jogavam futebol e voltavam pra sala numa suvaca de entristecer qualquer temente. Resumindo: impossível a paixão por um garoto real. Impossível, mas acontecia de vez em quando. E desacontecia rapidinho.

 Mil vezes preferível o Rodrigo Santoro na porta do guarda-roupa. Rodrigo Santoro estava sempre sorrindo, não tinha tempo pra mau humor.  Mas Rodrigo não existia, não se mexia e as possibilidades de diversão com ele eram bem poucas. Não nos restavam outras alternativas, a não ser nos juntar a maioria dominante, aprender futebol, ir pra faculdade mal arrumadas, esquecer batons e bolsas. Isso, é claro, não nos garantia grandes poderes de sedução e encanto. Mas nos divertimos muitíssimo.  E já que estávamos no inferno, não custava nada dar um abracinho camarada no capeta. Fazendo parte da turma, passando quase despercebido o fato de que éramos intrusas naquele mundinho masculino, tinhamos diversão constante, já que garotos sabem se divertir mais do que as garotas – isso eu não posso negar.

Restava-nos porém a opção dos rapazes de outros cursos, é claro, o pasto do vizinho é mais verde e vitaminado; os garotos que tinham (aparente) educação e eram… inalcançáveis. Ponto para a paixão platônica.

Sendo assim, durante muito tempo, minha vida amorosa foi uma trombada. Estou aqui pra dar meu testemunho: a vida nerd não é fácil. Somente os fortes, os bravos sobrevivem.  Eu não sobrevivi mas, digamos, nasci de novo.

[Pausa: Porque é que o Machado de Assis não teve personagens femininos desajeitados no amor?  Nos livros dele - ao menos nos que li -  as mulheres são sempre resolvidas/ malvadas e os homens inseguros/ ciumentos. Nunca o contrário.  Nada a ver minha pausa, né.  Sim. Tem a ver. Eu adoraria me identificar completamente com um conto de Machado de Assis. Oh, narcisismo. Então, voltemos ao assunto.]

Um dia acontece que a gente olha no espelho e – ops  – se redescobre. Percebe que é uma mulherzinha, apesar dos calos, e que é chato ter que admitir ao mundo todo mas  seus olhinhos brilham por maquiagem, sapato alto, cremes maravilhosos e armas do gênero. E que gênero. Descobre que vai fazer 22, 25, 27, 30, 40 anos (aí vai da lerdeza emocional da pessoa) e que perdeu muito tempo com essa bobagem de curtir uma fossinha e isolamento nerd. Descobre que não está morta e que tem poder de (ui) fogo. Ao menos eu descobri e estou tentando, é claro, generalizar a teoria.

Por uma dessas epifânias, uma trombada do destino ou uma dessas coisas muito bem boladas por algum cupido malicioso e desocupado eu vi um rapaz muito exibido com sua jaqueta de couro e óculos sem grau, tive a certeza de que o conhecia de algum lugar, certeza absoluta, mas com esse meu currículo amoroso muito desabonador, quando me dei conta ele já havia passado e eu, perdido mais uma chance. E no meio daquela multidão, seria impossível encontrá-lo de novo. Sorte a minha que ele deu a volta e foi muito rasteiro em se apresentar e me convidar para uma dança. Ainda bem, porque eu tenho um bom papo e sei até dançar (o mantra de Kid Abelha nunca que mais saiu da minha cabeça).

Eu continuo achando que o conheço de algum lugar. Talvez seja da infância. Ou não, porque não há possibilidades. Talvez de outro tempo. Talvez eu o conheça daquele lugar muito estranho e pouco mapeado onde durante toda a vida, durante as fossas de coca cola e música do Kid Abelha nós fermentamos e adubamos o grande amor que nós queremos ter um dia.

[Postagem para RBG, o moço da jaqueta de couro e óculos sem grau, que fez aniversário dia 5 e sempre me pergunta o que eu andei fazendo durante esses anos todos. Feliz aniversário, Amore.]

Tarde de sexta, filosofia de quinta…

2009 Agosto 14
por carla

Não, professor Albert, também acho que Deus não joga dados com o mundo.

Ele deve jogar é xadrez.

Daí, quando a gente acha que viu todas as possibilidades de movimento de peças, vem o cavalo e plóc.

Esse mundo não cansa de me em-bas-ba-car. Todo dia, todo dia, todo dia.

Tarde movimentada

2009 Agosto 13
por carla

Hoje o nosso presidente (aquele corintiano) veio dar o ar de sua graça por essas redondezas e o pessoal está quase todo lá, ouvindo discurso e vendo show no megapalco com mega estrutura (torci um pouquinho pra faltar energia, mas). Tava uma gracinha de ver a chefaiada aqui hoje cedo toda afobada de roupinha de missa.

 Enquanto isso, no escritório, nada acontece.  Nenhuma ocorrência significativa. Um tédio enorme e as 18 horas que não chegam nunca.

 Peraí. Acho que vi um grilo.

Sutilmente

2009 Agosto 12
por carla
The Kiss - Gustav Klimt

The Kiss - Gustav Klimt

 E quando eu estiver triste/ simplesmente me abrace

Quando eu estiver louco/ Subitamente se afaste

Quando eu estiver fogo/ Suavemente se encaixe

 E quando eu estiver bobo/ Sutilmente disfarce

 Mas quando eu estiver morto/ Suplico que não me mate, não/ Dentro de ti, dentro de ti

 Mesmo que o mundo acabe, enfim/ Dentro de tudo que cabe em ti

(Samuel Rosa / Nando Reis)

*Eu sou fã do Skank, tinha o cd novo desde a pré-venda, portanto toda e qualquer opinião será muito parcial. Mas que essa música é linda, isso é.

É que eu ando meio estranha

2009 Agosto 11
por carla

Eu não sou uma mulher estrogonoficamente sensível, nem muito delicada. Mas de uns dias pra cá, eu ando me estranhando muitíssimo. Noite passada eu acordei umas cinco da manhã com ódio do cheiro do colchão, revirei de um lado pra outro e não consegui dormir, então liguei para meu rapaz, que anda viajando. Pra falar pra ele sobre as fechaduras das janelas que não estão confiáveis e do ódio que eu estava sentindo daquela ppppp de colchão. Nem tinha amanhecido em Goiânia ainda e em Floripa devia estar nevando. Isso não era hora para tratar desses assuntos. Nem de assunto nenhum. Pensa bem. E o moço me atendeu carinhosamente, meio dormindo, meio acordado, coitado. Numa hora dessas, um homem deve questionar se Amor deveria ser só o nome de uma paçoquinha e deve chegar a inevitável conclusão de que mulher é um bicho muito, muito, muito estranho.

Então na hora do almoço, quando estacionei o carro na porta da casa da minha mãe havia uma caixa de supermercado bem fechada no lixo. Notei que a caixa chorava. Sim. A CAIXA CHORAVA. Primeiro pensei que era alucinação auditiva mas não era. Alguém tinha colocado filhotinhos de cachorro no lixo. Tem base? Que monstro faria uma coisa dessas? Nós recolhemos, claro. Ainda bem que minha mãe não mora em apartamento. Vamos tratar dos bichinhos até que eles fiquem mais fortes. E eu não sabia se socorria os cães ou se secava uma lagriminha no canto do olho. Eu já disse que não chego a ser uma pessoa sensível, né? Ah, e o colchão? Um novo chega daqui a pouco lá em casa.

Se a minha tireóide – maluca e inexistente – não estiver meio atrapalhada das funções, é caso pra procurar uma benzedeira. Rápido.

Eita nóis.

2009 Agosto 10
por carla
É bom deixar registrado. Antes que.
É bom deixar registrado antes que...

É bom deixar registrado antes que...

 

Nóis tudo aparecendo nas tabelas. Menos o Vila, Claro...

Nóis tudo aparecendo nas tabelas. Menos o Vila, Claro...

E como se não bastasse, tem mais essa.

Observação de quem tava sem o que fazer.

2009 Agosto 10
por carla

Acho que os vizinhos do apartamento de cima precisam apertar os parafusos da cama…

Bobó

2009 Agosto 7
por carla

Deve haver uma boa explicação astrológica, química ou quântica (afinal quando a gente não tem explicação, apela pra quântica, que ninguém entende mesmo) para que 90% dos membros de uma mesma família nasçam no mesmo mês. A minha é assim, quase todo mundo de agosto.

*

Domingo passado foi o aniversário da minha mãe.

Eu não fiz um texto pro blog porque resolvi dar os parabéns pra ela de outra forma – a que ela me ensinou: fui pra cozinha.

Sendo assim, o aniversário foi comemorado na minha casa – e não na dela. Ela virou visita e adorou. Fiz bobó de camarão e para os não chegados em bichinhos cascudos, fiz bobó de frango.

*

Teve um momento, no auge da festa,  em que devo ter feito cara de pavor:  E agora, acabou a comida. Tou perdida.

 Em pleno domingo à noite, o povo devorava o bobó quase sem intervalo de respiração e o vidrinho de pimenta passeava por todos os cantos. Eu fui ficando apavorada. Acabar a comida no meio da festa é a pior falta de educação do cerrado goiano.

 Foi a conta. Não sobrou nada. Aparentemente, os Bobós tinham feito sucesso.

 No fim da noite, o rapazinho (namorado da filha da amiga da minha mãe – observe o grau de parentesco e calcule quanta gente havia no pequeno apê.) começou a ficar verde. Temi pela minha reputação de cozinheira. Usei algo fora da validade? Eu me perguntava. E o moleque foi ficando verde, até que alguém – o sogro – teve a brilhante idéia de levá-lo ao pronto-socorro. Resultado: alergia a camarão. Ufa, novamente. Uns fernegan na veia do moleque e minha reputação de cozinheira estaria salva.

 Saldo de aniversário: Muitos presentes, elogios pra comida (eu sei que o povo queria incentivar…), encantos com a casa, muita casca de camarão no lixo, uma pia com lotação esgotada e uma dona de casa meio atordoada.

 Eu disse “muita casca de camarão”? Pois é. Fui me dar conta disso quando cheguei no trabalho, no fim do dia seguinte e a casa fedia chulé. Catinga insuportável.

 Nota mental 1: Após uma festa, não esquecer de colocar o lixo pra fora.

Nota mental 2: Preciso de uma boa receita para tirar odores da casa.

Fogo nos cabos

2009 Julho 28
por carla

E a rede elétrica incendiou lá na rua de casa da casa da minha mãe.

Fomos perceber o acontecido quando já se formava uma aglomeração de gente em torno do foco de incêndio (mas óia que perigo) e a vizinha já entrava e saía do portão um pouco aflita e – não comente -  histérica.

Pânico geral no reino unido de vilanova. E o vilanovense é, antes de tudo, um curioso. Os télicos chegaram duas horas depois (aí, companheiros, assim cês me matam de vergonha), com a maior panca de GhostBusters e foram recebidos como celebridades. Tiveram seus momentos de glória na bizarra e desocupada vizinhança vilanovense.

E tudo acabou bem.

Reunião de Condomínio

2009 Julho 28
por carla

Então, ontem foi a minha primeira reunião. “Minha” uma pinóia, né, porque locatário não tem direito a voto, locatário não opina, locatário não é gente. locatário só se ferra. E calado.

Nenhum programa humorístico faz juz ao que acontece no dia-a-dia de um condomínio. 

 As 8 horas, o pessoal já estava alvoroçado e colocando as fofocas em dia – coisa que se faz bastante nas redondezas – sentados nas cadeiras de plástico da quadra de esportes. A Dona Clotilde do 101 quase não coube, de modo que empilharam duas cadeiras para melhor servi-la. A gentileza impera totalmente. Achei que era um bom presságio que Dona Clotilde fosse, de fato, tão parecida com a Bruxa do 71. Só que em versão Chaves Fat Family. E de quem era a culpa das cadeiras serem tão frágeis? Do síndico, claro. Todo bicho que morre, ele quem mata.

 O síndico tentou  - TENTOU – expor a pauta: A pintura do prédio e – consequentemente – aumento do valor do condomínio. Mas, como é de conhecimento geral: Money que é good, nóis num have sobrando. Antes dele acabar de falar, já tinha gente com tamancos e tomates na mão. Um gordinho dos braços curtos e cabelo bem liso cortado com cuia bradava no canto abanando um papel. Vá saber que papel era esse e onde ele gostaria de colocá-lo.  (Pausa dramática: tem tanto gordinho nesse prédio que eu já estou ficando encabulada.) Três crianças descontroladas corriam em círculos gritanto enlouquecidamente quando alguém se irritou e pediu delicadamente  “Amarra essas onças aí!”. Sejam discretos e não perguntem quem foi a moradora que sugeriu amarrar as crianças – Ela, a moradora,  que por sinal é locatária, diz que ainda pretende ter filhos.

 Exposta a pauta, ânimos acalmados, um rapaz pediu a palavra. Como vocês já devem saber, quando isto acontece, todos os participantes da reunião gritam desordenadamente “calaboca, aí, Ou!”, “gente, vamo escutá!”, “o rapaz  qué falá”. Enfim, meia hora depois, o rapaz tava com a palavra. Melhor que não tivesse. Aí sim,  eu fui prestar atenção no visual, no charme, garbo e elegância do dito cujo. Ele vestia um coletinho de couro encerado (sem nada por baixo) e uma calça jeans toda, toda, toda rasgada. Tava descalço. Detalhe: o defunto era menor, devia ser uns dois números menor. O coletinho mal cabia. O rapaz desatou a falar que naquele prédio ele nasceu, cresceu, estudou, aprendeu a fumar um baseadinho camarada (não, isso ele não falou, mas deduz-se pela desgraça do cheirinho e a vibe slow motion- paz/amor do discurso). E que o síndico era gente fina, educado, receptivo, simpático e meigo. Cá pra  nós, eu acho que rolou um clima, mas quem sou eu pra achar, né. Inquilina não acha nada.

Ao som da gritaria das pequenas onças, o rapaz contou que era engenheiro e sabia que esse lance de obra não é fácil, coitado do síndico. Calmaí. Acho que não ouvi direito.  Ele disse que é engenheiro orçamentista?  taqueospariu, camarada!!! Não quero nem imaginar como é um orçamento feito por um trem chapado e de coletinho de couro que chama obra de lance.  Quase liguei pro moCREA pra dedurar porque você sabe, engenheiro é uma categoria unida que dedura uns aos outros.

 Passada a vez do rapaz, foi a vez da turma do contra, da chapa que perdeu a eleição passada (pelo que dizem…). Da turma que segurava tamancos e tomates quando o síndico começou a falar. Eles eram representados pelo gordinho de braços curtos e por uma moça rosnava tão alto que eu tive medo que as veias do pescoço dela explodissem. Muito medo nessa hora.

 Uma senhora de cabelo quase grisalho assistia a tudo ao meu lado com um apatia contagiante. Era a imagem da hiena Holly. Eu que, repito, não tinha direito a voto, não perdia um lance. Juro: foi muito mais divertido que o jogo no Serra. 

 Enfim.

 A reunião encerrou-se quando o síndico fez beicinho, sentou no chão, chorou chamando pela mamãe dele, disse que não queria mais brincar e que, agora, ELE NÃO QUERIA PINTAR PRÉDIO NENHUM. E se danassem todos porque já estava passando da hora dele jantar e vestir um pijaminha quente. Beij0 pras criança e lembraças aos parente, ele foi embora pisando duro.

A Estatística a serviço da vida.

2009 Julho 23
por carla

barata

1. Classificados

2009 Julho 23
por carla

Já que estamos anunciando nos 4 cantos,  porque não aqui???

Então lá vai:

Vende-se uma esteira elétrica (Advanced 2, da Athletics)  muito boa, bonita e legal.

A julgar pela minha forma física impecável (hohoho), deduz-se que a esteira está em ótimo estado de conservação: foi utilizada pouquíssimas vezes.

Caso tenha interesse, tratar aqui.

“Nós também somos do mato/ Como o pato e o leão…”

2009 Julho 20
por carla

Deu no Bom dia Brasil:

“Como é que você vai entrar na Lua se ela é redonda e ela não tem porta?”

Tá certo, Seu Raimundo. De todas as teorias conspiratórias, essa, sem dúvida é a melhor e mais sensata. Vai me dizer que não…

*

Eu me acho muito multi-tarefa, né? Acredito piamente que consigo fazer duas, três, quatro coisas ao mesmo tempo quando, na verdade, é difícil até andar e respirar de maneira harmônica. 

  Então ontem eu assistia TV, trabalhava no cãoputador, coloquei um pão no forno (em fogo bem baixinho), coloquei o feijão na panela nova pra cozinhar, descascava as verduras pra congelar.

Enfim. Comecei a sentir um cheirinho de queimado. Mas sabe o que é? Panela nova tem um cheirinho de queimado…

O cheirinho foi aumentando.

A vizinha cozinha mal pacaramba, de modos que todo fedor na ala das cozinhas é sempre culpa dela.  Hoje mesmo, ela cozinhou um frango que, pelo cheiro, foi pra panela com as penas e os miúdos. Dava vontade gritar na janela: Põe pelo menos um limão nesse bicho! – mas me comportei. Pra você ver: sou uma lady.

O cheirinho de queimado ficou insuportável. Aí eu liguei pra minha mãe, né. Claro. Porque eu sou uma pessoa super-hiper-mega  independente (!).

-Mãe, panela de pressão nova tem cheiro de borracha queimada?

- COMO ASSIM,  Carla????

-É mãe… queimado, cheiro de queimado.

-Carla. Vai lá e olha o forno. Se eu bem te conheço, aposto que você colocou alguma coisa lá e esqueceu…

Foi aí me lembrei do pão… O PÃO!!!
O pão queimou. Virou carvão.

Você sabi que carvão tira odores desagradáveis da geladeira?

Eu descobri isso ontem. Um pequeno passo pra uma mulher, um passo menor ainda pra humanidade.

Ueba

2009 Julho 13
por carla

Logo cedo, pego um relatório na mesa da impressora:

“Com o objetivo de inibir as ocorrências de curto circuito na região foram instalados dispositivos técnicos anti-pássaro.”

Vulgo: espantalho.  Estávamos mesmo falando de tecnologia, né?

Mais um inventário para a série

2009 Julho 9
por carla

Então você (vou fingir que não é comigo essa história) vem trabalhando no vapor, no rendimento, com a luz do sinal no verde direto quando, de repente, ouve um estalido. Você olha em volta, procura alguma coisa que tenha se quebrado mas tudo continua do mesmo jeito. Nada caiu, o chão não tremeu. Mas, depois do barulho, a concentração foi embora e você ficou com uma vontade de se levantar, de fazer uma coisa que não sabe o que é. Um monte de coisa passa pelo pensamento, você não se fixa em nenhuma porque não consegue encontrar solução para elas.

Numa situação dessas, o que faria bem é um pouco de atividade braçal. Sim. Braçal.

O que está ao alcance? Gavetas, armários, a bolsa. Bolsa não. Aquela pequena mala de viagem que você adotou como bolsa cotidiana. Então você começa a depositar o conteúdo sobre a mesa.

Carteira abarrotada de papéis e algum dinheiro miúdo, moedas caindo pelos lados, duas identidades, cartões, documentos, protocolos que você não sabe mais para quê servem. Uma senha do cartório que você foi há 2 meses. Papéis de bala que você não joga na rua. Cabos usb, serial, telefone-computador, tv-câmera-computador – que são necessários mas não na bolsa. Celular e seu carregador de bateria – um aparelho móvel que você precisa conectar sempre que usa? Câmera fotográfica que você ainda não aprendeu a usar direito mas se mantém na expectativa. Chaves que abrem as portas que você costuma entrar, muitas moedas novamente, cartões profissionais – seus inclusive, misturados aos outros – montes de boletos, documentos do carro, canivete, lenços de papel, pomada para tirar manchas do rosto – cujo uso você sempre interrompe e ainda reclama da ineficácia da pomada, as vitaminas que te mantêm forte, garrafa de água vazia. Um par de meias (!) coloridas (?!) anti-derrapantes (!?!?!!?!??!).

E a necessaire, um caso à parte. A bolsona dentro da bolsona. Cheia de coisas repetidas dentro. 5 batons quase iguais, 4 lápis sem ponta e um retrátil, sendo este o único que presta, 2 máscaras – secas – para cílios, 1 sombra que não faz efeito, lixa de unha, pinça, escova, fio e creme dental). Cremes para o rosto e calcanhares (os seus pontos fracos do corpo).

E tem a bolsinha de lápis e canetas que não, não convém detalhar.

Tudo colocado sobre a mesa, feito o inventário, você percebe que carrega peso demais. Muito além do necessário. Então você tenta dar novos compartimentos às necessidades e listar o que é prioritário mas, no fim, excetuando os papéis de bala, volta tudo à bolsa de modo organizado.

Você sabe que está carregando peso demais. E que ele, o peso, poderia ser dividido. Você precisa de ajuda. Mas você não sabe direito como pedir: ajuda, compromisso, envolvimento. Também não sabe se é melhor desistir de carregar, e, então levar somente documentos e chaves. E sabe, ainda que a bolsa virou uma mala salva-vidas de quem corre na selva inventada de um reality show. Mas não sabe, ainda, como levará uma bolsa (assim como uma vida) mais leve. E esta questão deve ser o estalo que você ouviu quando a inquietação começou.

vidamoderna

2009 Julho 3
por carla

Fico de plantão pelo terceiro fim de semana consecutivo.

Delícia, não?