Sensatez

Ele me pediu em casamento numa terça a noite, enquanto comíamos sanduíche com Tubaína em um lugar tão lindo quanto retrô no centro da cidade. Eu fiquei atordoada, disparei a falar, a contar uma história tão longa, quanto desprovida de propósito ou sentido.

Ele ficou me olhando de um jeito estranho, a uma expressão facial de quem não entendeu nada. Podia-se ler: “Caramba, será que isso é um sim ou não?”

Se eu demorasse mais dois minutos naquela enrolação, acho que ele faria um gabarito no guardanapo e diria “Marque a alternativa desejada”.

(   ) SIM

(   ) NÃO

[Até que provem o contrário, esse é o melhor jeito de lidar com gente de exatas.]

Um tempo depois, quando eu me concentrei, percebi que não era uma conversa dessas que se tem todo dia e consegui responder.

“Sim, claro que eu quero”. Eu queria muito, eu não me imaginaria dividindo uma vida completa com outra pessoa que não fosse ele.

E depois que ele me deixou em casa, eu tomei uma atitude sensata e madura.

Comprei um sapato.

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“Sabe, a sorte é como o Tour de France. Esperamos tanto, e passa tão rápido. Quando chega a hora, precisa saltar sem hesitar.” [Trecho o filme O Fabuloso Destino de Amelie Poulain]