1% é muita coisa

Numa das noites frias de férias em Gramado, paramos pra comer  uma pizza.

O Azeite estava bem melhor que a pizza, mas os garçons eram bacanérrimos e nós nos divertimos muito batendo papo com eles. Sabe quando os caras te tratam como se você fosse visita na casa deles?

Pois é.

Outro dia, batendo perna e fugindo do frio, entramos em um empório mega-fofo e resolvemos tentar a sorte procurando o tal azeite, da tal pizza. O detalhe é que nem o nome nós anotamos porque ele estava em um vidro genérico (desses de conjuntinho de 1,99).

Já reparamos que a loja não era pra amadores. De jeito nenhum.

A moça nos recebeu com a pergunta “Qual acidez desejada?” e nos entreolhamos com a cara de cachorro embarcado na mudança errada, sem querer passar recibo de ignorância.

Sabe como é, né? O carão que faz a diferença.

Daí descobrimos que azeite se classifica pela acidez e, quanto menor, mais caro. O céu é o limite de preços, tinha uns mirradinhos 100 ml vendidos a 300 reais.

Descobrimos também que 1% é muita acidez.

Para o azeite ou para a vida, 1% diferencia azeite puro extravirgem gourmet de óleo para fritar pastel chinês.

Daí a gente mantém o bom humor, finge que vai comprar na volta. Faz cara de meiguice e elegância, mas por dentro tá destilando o veneno. Fabricando mais um meme no cérebro. Tá rindo da própria incapacidade de entender sobre os assuntos mais banais, como por exemplo, sobre acidez de azeite.